“É preciso entender que vivemos em um mundo globalizado e conectado e que nesse contexto a inovação não se faz mais sozinho”. A declaração é do primeiro palestrante do XVI Ciclo de Debates de Administração (CIDEAD), presidente da Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação – Reginp, Carlos Eduardo Aranha, durante os debates que abriram o Ciclo em 2018 na região Noroeste do Estado do RS. As cidades de Santa Rosa, Ijuí, Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga reuniram mais de 1200 pessoas na busca de conhecimento, troca de experiência e aprendizado para colocar em prática.
 
Aranha abordou o tema “O ecossistema global da Inovação” trazendo aos participantes conceitos de inovação e ecossistemas, cases como Vale do Silício e Israel e também de que forma o Rio Grande do Sul se insere nisso. “O que de fato é inovação? O manual de Oslo definiu diretrizes para conceituar inovação: é qualquer transformação, seja ela incremental ou disruptiva em produto, serviço ou processo”, destacou, explicando ela pode ou não ser tecnológica, como inovação em marca, organizacional ou até em modelos de negócios. “Inovar mesmo é entregar valor seja para quem desenvolve, seja para quem consome. Essa é a gênesis da inovação”.
 
 Ele ainda discorreu sobre inovação fechada e inovação aberta, destacando um ponto que o CRA-RS vem levantando: a união de esforços na busca do desenvolvimento. “A Stara, por exemplo, é um modelo de inovação aberta, ao invés de desenvolver tecnologias internamente, realizou um projeto com a SAP. É uma empresa que está se comunicando e se conectando com outros atores do ecossistema para buscar novos mercados”, explicou.  A partir disso, Aranha falou sobre a importância da integração entre universidade, poder público e empresas, a chamada tríplice hélice. “Políticas públicas precisam ser criadas para desenvolver a inovação. A universidade entrega para as empresas os seres vivos, vocês, para trabalhar, para empreender e realizar pesquisas que possam ser úteis para o mercado, e isso reverte em conhecimento e tecnologia para as organizações”, pontua, acrescentando que tem um quarto fator que surgiu a partir da internet e conectividade formando a quadrupla hélice: “somos nós que ganhamos voz, é a comunidade dentro desse ecossistema”. 
 
Em relação aos cases, o palestrante contou sobre sua experiência de dez dias no Vale do Silício. “Eu imaginava que o Vale fosse uma rua, mas na realidade é toda uma região que começa em San José e termina em São Francisco. A região se desenvolveu de fato com a criação de uma universidade com um conceito diferente por Leland Stanford em 1891”, explicou, contando que a instituição tinha como meta estudar assuntos práticos, era aberta para homens e mulheres, não tinha denominação religiosa e naquela época já falava sobre relação universidade e empresa. Já sobre Israel, ele provocou os participantes sobre o aplicativo de mobilidade Waze que, para surpresa de muitos, foi criado no país. “Foram três empreendedores israelenses financiados por alguns ‘rounds’ de investimento, mas o Waze é muito mais que isso, é resultado de um ecossistema de inovação em um país em constante ameaça de guerra”, apontou, ressaltando que o aplicativo foi vendido para a Google em junho de 2011 por 1,3 bilhão de dólares. 
“E nós aqui no Rio Grande do Sul? Somos um ecossistema forte? O que precisamos fazer para ser?”, questionou ele. Aranha analisa que temos vários atores atuando para que aconteça uma conexão: “temos tudo para ser um ecossistema forte, mas precisamos nos organizar para isso e mudar o mindset, ou seja, a cultura empreendedora das pessoas, tudo se baseia nelas e na integração”, exaltou Aranha. 
 
O XVI CIDEAD é um projeto desenvolvido pelo CRA-RS um projeto desenvolvido pelo Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS) que desde o ano de 2003 leva ao interior do estado conferencistas renomados para tratar de assuntos atuais e de interesse da classe dos Administradores. Em 2018 o Ciclo segue e tem previsão de acontecer em 24 cidades.