A saúde psíquica do trabalhador é fonte de preocupação. A afirmação é da professora da Fundação Instituto de Administração (FIA), Marina Gonzales, que possui Pós-graduação em Administração de RH e é Doutoranda em sociologia do trabalho. Segundo ela, muitos profissionais estão adoecendo devido ao fato de não se sentirem desafiados no trabalho e esperarem um crescimento rápido da carreira que, ao não ocorrer, gera frustração.
 
“As empresas não crescem tão rapidamente como muitos profissionais, principalmente os mais jovens, esperam. Em momentos de crise então, como a que estamos vivendo, isso fica ainda mais latente, pois as empresas estão enfrentando dificuldades, com um cenário adverso. E isso tem deixado as pessoas doentes. É preocupante.”, salientou.
 
Dentro ou fora do mercado formal, a saúde mental dos trabalhadores brasileiros tem se deteriorado em todos os níveis de ocupação. É o que mostra resultado com mais de 800 entrevistas feitas entre junho e julho desse ano. Ansiedade, depressão, insônia, síndrome do pânico, burnout e uso de remédios controlados, álcool e drogas ilícitas, entre outros, são algumas das consequências listadas.
 
Os dados são de uma pesquisa realizada por uma consultoria especializada em cultura organizacional de empresas em parceria com o sociólogo Ruy Braga, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic) e divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, nesta terça-feira (12/11).
 
Para 78% dos entrevistados, o trabalho contribui ou já contribuiu com seu adoecimento. Entre as mulheres que se declaram negras, o percentual é maior: 85%. É o mesmo índice para aqueles que são empregados com vínculo formal, o que, ao lado da variedade de perfis dos entrevistados, aponta para a multiplicidade de fatores que desencadeiam o estado de sofrimento.
 
A professora Marina Gonzales comandou, no sábado (09/11), no CRA-RS, mais uma edição presencial do Programa de Capacitação e de Formação de Multiplicadores de Conhecimento em MPEs. Empreendedorismo e gestão de pessoas foi o foco da aula.
 
Os profissionais que participam da capacitação são habilitados com metodologias que permitem realizar diagnósticos, identificar problemas e encaminhar soluções em MPEs. O programa, do CFA em parceria com a FIA da Universidade de São Paulo (USP), encerra em janeiro de 2020.