Ressaltando a importância de estar conectado ao que está acontecendo, o Adm. Gustavo Piardi, que já foi gestor de projetos de internacionalização com imersão de empresas brasileiras no exterior (Vale do Silício e Portugal), abriu as palestras do XVI CIDEAD que ocorreram em Osório e Gravataí nos dias 14 e 15 de agosto. Ele provocou o público levantando o questionamento sobre o que é de fato um ecossistema. “O termo vem da biologia referindo-se ao ambiente e aos seres vivos. Aqui estamos em um ecossistema, já que somos um conjunto de seres que interagem mutuamente”, explicou, destacando que o mais importante é entender que o ecossistema é vivo, assim como o mundo, onde as coisas acontecem o tempo todo. 
 
Discorrendo sobre o tema do Ciclo – Administração no Ecossistema de Inovação -, o Administrador trouxe para o conhecimento o conceito da palavra inovação segundo o Manual de Oslo, um documento produzido pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento: é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado, no que se refere às suas características ou usos previstos, ou ainda, à implementação de métodos ou processos de produção, distribuição, marketing ou organizacionais novos ou significativamente melhorados. “Em resumo, costumo dizer que a inovação é a exploração com sucesso de boas ideias”, disse. Diante disso, para se criar algo novo é preciso ter um ambiente propício para isso, com o alinhamento entre todas as frentes que nele atuam. “É a quádrupla hélice que une empresas, academia, governo e sociedade. Esses atores precisam estar nivelados para que seja possível desenvolver um ecossistema ideal e assim gerar novos negócios”, alertou, apontando que a construção disso tem um custo alto.
 
O palestrante trouxe países cases que sabem fazer isso muito bem como o Vale do Silício e Israel, além de mostrar como outros locais estão se desenvolvendo quando falamos de inovação, discorrendo sobre a situação do Brasil. Em relação ao Vale do Silício, local que Piardi já visitou quatro vezes, ele conta algumas curiosidades como a questão de que a região não é um vale. “São Francisco até San José é como Porto Alegre a Novo Hamburgo e as empresas estão organizadas por especialidades, cada local tem uma especialização”, salientou, apontando para outro modelo de ecossistema: Israel. “É um local com cultura global e mesmo com menos de 9 milhões de habitantes, é um dos países que tem mais startups no mundo”, disse sobre o pequeno o território que carrega o título de Startup Nation. 
 
E sobre o Brasil? O palestrante indicou alguns ambientes que já estão se fortalecendo como ecossistemas: Porto Digital, em Recife; San Pedro Valley, em Minas Gerais; a Startup SC, em Santa Catarina. “No Rio Grande do Sul estamos avançando mesmo que em pequenos passos. Hoje temos espaços importantes como o Tecnopuc, Tecnosinos e Feevale Tecnopark”. Para ele, o brasileiro é muito bom em algumas coisas como no mindset, que refere-se ao desenvolvimento de modelos mentais, porém, não é lançador de tendências. Estamos preocupados em gerar negócios e não em medir performances, por isso precisamos desenvolver nossos potenciais para criar nosso próprio ecossistema", afirmou, atentando para outra questão que é a valorização ao erro. “Aqui não é bem visto tu ter fracassado em alguma empresa, já lá fora é muito valorizado, pois significa que você aprendeu. Precisamos quebrar paradigmas e mudar culturas.” 
 
Por fim, o palestrante relacionou a inovação com o profissional da Administração, mostrando que a Administração é arte, profissão e ciência. “Arte porque é uma estratégia que passa por pessoas, isso é, terá um traço seu. Profissão, pois temos uma regulamentação por trás disso e ciência diante de seu um amplo campo de estudo desenvolvido. E isso é o melhor da nossa profissão: poder transitar entre os três temas”, exaltou, apontando que o mais importante nesse contexto são cultura e valores. “É preciso olhar para dentro de vocês e fazer o que vocês acreditam. A principal competência que podemos ter como Administrador é trabalhar com gente e assim melhorar a sociedade a partir de um propósito. A segunda é conectar, conectar pessoas, empresas, ideias, conhecimento. Depois, é um dos únicos cursos que nos dá a visão do todo, além de termos a flexibilidade como premissa em um mundo em que muitas profissões se modificam e podem acabar até 2030”, revelou Piardi, aconselhando os estudantes a saírem da zona de conforto e buscar o que realmente faz sentido para eles.