O XV Ciclo de Debates de Administração (CIDEAD) do CRA-RS teve sua primeira edição do ano na noite de ontem em Ijuí e lotou o Salão de Atos da Unijuí (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul). “É o momento do Conselho estar mais presente do que já está hoje. Mais próximo à universidade, do Administrador e da sociedade. Se nós temos situações difíceis na questão política é porque muitas vezes não nos posicionamos ou não estávamos diante dessas situações”, destacou a presidente do CRA-RS, Adm. Claudia Abreu, ressaltando aos alunos a importância do registro na autarquia. “É uma honra começar este ciclo por Ijuí. Nós teremos mais 15 CIDEADs neste ano e queremos ir além de uma palestra, nosso objetivo é estar inserido neste momento de empreendedorismo e contribuir de alguma forma para a sociedade, visando a empregabilidade em outros modelos, precisamos enxergar diferentes alternativas”, exaltou. 
 
A coordenadora do curso de Administração da Unijuí, Lucinéia Woitchunas, destacou a atuação do CRA-RS como um Conselho forte e atuante em todas as esferas da sociedade. “Sair do discurso do empreendedorismo e compreender como podemos colocar em prática ideias inovadoras, ganhar escalas e crescer como empreendedores refletindo também sobre o crescimento da nossa região é fundamental para a profissão do Administrador”, afirmou, acrescentando que é preciso pensar a inovação dentro de um sistema que contemple a universidade, governo, empresas e sociedade. 
 
Também participaram da solenidade de abertura a vice-presidente de Relações Externas do CRA-RS, Adm. Helenice Reis e o delegado da Seccional do Conselho em Ijuí, Adm. Benísio Roque Rodrigues.
 
O debate, mediado pelo delegado da Seccional de Ijuí, Adm. Rodrigues, contou com a participação do prefeito de Panambi, Daniel Hinnah, do empresário de imóveis, Rodrigo de Barros e do palestrante da noite, Mestre em Marketing e autor do livro “A Riqueza das Favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas”, Adm. Vinicius Mendes Lima. 
 
“Cantinas em presídios, cantor de funk, barracas de crepe em escolas, sócio de produtora de formatura, dono de um complexo esportivo e cultural... Quando a gente quer, a gente dá um jeito”. A declaração é de quem empreendeu todos os negócios citados, o Adm. Vinicius Mendes Lima que participou do CIDEAD com a palestra “Leite de Pedra: empreender é para todos”. Na explanação, o Adm. Lima mostrou que é preciso dar subsídios para que as pessoas possam exercer não apenas as profissões comuns, que todos conhecemos, mas também crias soluções que possam oportunizar um próprio negócio. O tema da palestra faz referência ao ditado popular no sentido que é possível empreender mesmo sem condições favoráveis para que isso ocorra.
 
O palestrante explicou que empreendedorismo ainda não é uma ciência, mas está quase virando de tão procurado e estudado que tem sido. “As pessoas que ainda não se engajaram no mundo empresarial, muitos entendem que o empreendedor é quem abre um negócio, mas vai muito além disso. O empreendedor é alguém que almeja, planeja, luta e conquista um sonho ou um simples objetivo”, disse indicando que empreender também é ser um estagiário e chegar ao cargo de superintendente se era isso que você sonhava. Ele trouxe ao conhecimento do público dados que mostram a importância da criação de novos negócios. “A indústria representa apenas 1,3% dos negócios do Brasil, já nós, pequenos, empresários, representamos todo o resto da população de empresa. O pequeno, aquele que fatura R$ 5 mil por mês, é quem salvou o país de quebrar”, alertou. 
 
Outro dado apresentado na palestra é que 76% dos estudantes em universidades brasileiras querem empreender e a maioria não faz por medo e não por falta de conhecimento. A partir disso, o palestrante contou sobre sua experiência a uma ida à favela da Rocinha no Rio de Janeiro que o estimulou a descobrir o que o empreendedor da favela faz de diferente do que está na rua. Foi aí que o jovem professor desenvolveu sua pesquisa de Mestrado sobre empreendedorismo periférico que deu origem ao livro “A riqueza das favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas”, onde faz um comparativo entre a Rocinha e a Villa 31, em Buenos Aires. “Quem pode nos ensinar melhor pessoas como essas que nasceram na crise, vivem na crise e, o mais importante, empreendem na crise. Muitos deles não tiveram nem curso profissionalizante e nem ensino superior”, analisou, contando que queria mostrar o outro lado da moeda, pois a imagem das periferias para o restante da sociedade era apenas do bandido armado. 
 
Para ele, tem como tirar leite de pedra sim. “Tem muitas oportunidades. É só querer enxergar e colocar ideias em prática. Há 200 mil favelas no mundo, isso são 827 milhões de pessoas vivendo na vulnerabilidade. Muitas delas querem crescer: 4 em cada 10 favelados tem intenção de abrir seu próprio negócio, 63% quer fazer isso dentro da favela”, observou, levantando cases de sucesso como a menina que inicialmente vendia copos plásticos com café e hoje em dia abriu um supermercado e um restaurante. “Empreendedores, visionários, sempre terão espaço no mercado de trabalho, dentro do seu negócio ou fora dele. Está na hora de olharmos para as pessoas que têm maior dificuldade. Vivemos em um país que 67% recebem até dois salários mínimos, porque trabalhar para quem tem dinheiro e brigar com um monte de concorrente? É preciso valorizar os outros 33%, pessoas que têm renda, que consomem”, enalteceu. 
 
Ele apontou para uma questão fundamental na Administração: a responsabilidade em Administrar. “Isso é coisa séria. As pessoas não sabem formar um negócio. Nós temos o CRA nos representando, é nosso dever nos responsabilizarmos sob nossos negócios e mais do que isso, responsabilizarmos sob o negócio dos outros”, afirmou. O delegado Adm. Reis complementou que a maioria das pessoas buscam sempre por algo grandioso e despercebem que há uma grande oportunidade de despertar um terço dessa população de baixa renda. 
 
Para contribuir com o debate, o prefeito de Panambi Hinnah diferenciou o ato de empreender na gestão pública e na gestão privada. “No setor privado você pode ser criativo e fazer tudo que a lei não proíbe e no setor público você só pode fazer o que a lei expressamente autoriza, mas os políticos que fazem as leis, por isso precisamos mudar o país a partir disso”, disse. Complementando, o empresário Adm. Barros contou sua história na área e ressaltou que é fundamental ter uma ideia, acreditar que ela vai dar certo e fazer os outros acreditarem com você. 
 
Na oportunidade o CRA-RS lançou um novo curso de imersão em Porto Alegre. O objetivo é que em três dias o participante saia de lá com um projeto pronto, uma empresa bem planejada dentro de todos os aspectos para colocar em prática. A ideia é realizar isso entre os meses de junho e julho e depois avançar para o interior. Em breve mais informações.