Adm. Victor Magalhães*

O Rio Grande do Sul está alcançando o objetivo de achatar a curva do novo coronavírus. Segundo dados oficiais do governo, de 27 estados, o Rio Grande do Sul está com nível controlado de incidência de casos e letalidade, mas é preciso avaliar constantemente as medidas de prevenção, como o uso de máscaras, a política de testagem e o distanciamento social.

Podemos entender estes acontecimentos como resultado de uma política de gestão da Secretaria de Saúde (SES) e da rede de hospitais do Estado, ambos referência nacional quando falamos de gestão em saúde. Devemos destacar também o planejamento alinhado entre o governo do Estado e municípios, com decisões sendo tomadas com base em informações e com o objetivo mútuo de voltar a crescer, reduzir o desemprego, a fome e melhorar a qualidade de vida da população.

Mas é preciso muita atenção: apesar dos planos divulgados pelo governo de flexibilizar o isolamento social, a saída da crise ainda é incerta. O nível de testagem da população é baixo e algumas pessoas ainda não perceberam a real dimensão do problema. Além disso, há hospitais que não possuem uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e infraestrutura para casos mais graves, sem falar que a falta de auxílio do governo federal nesse momento poderá resultar em ainda mais problemas, para além da pandemia.

Portanto é preciso tirar a complexidade dos processos, já que o nível de endividamento dos hospitais está aumentando. Se faz necessária ter uma visão mais simples, a telemedicina (saúde virtual) surgiu para ampliar a oferta de serviços, otimizando tempo, reduzindo os custos operacionais e propiciando maior agilidade no processo de atendimento. Os procedimentos em saúde tendem a ser cada vez mais digitais, com o uso de prontuário eletrônico e soluções de inteligência artificial. Em termos de gestão, precisamos de modelos de saúde de alto desempenho, nos quais as receitas precisam ser potencializadas e os custos reduzidos. Devemos entregar mais valor para os clientes, ter um painel de indicadores de produção, receitas, pessoas, custos e metas, apoiados em uma ferramenta orçamentária.

Quando passar esta crise, estaremos todos juntos em um novo normal, com mudanças no comportamento, nos hábitos, nas habilidades, no conhecimento e na segurança, e com uma única certeza: viveremos em um mundo coletivo e cada vez mais de tecnologia digital, onde menos é mais.

* Vice-presidente da Fundatec

Artigo publicado na edição do dia 27 de maio de 2020 no Jornal do Comércio.