O novo presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Adm. Wagner Siqueira, concedeu uma entrevista especial à próxima edição da Revista Master, que circulará em breve, em que falou sobre seus projetos para o mandato e a importância das regionais, entre outros pontos. Para Siqueira, o profissional precisa aprender a pensar a sua realidade no sentido de transformá-la. Precisa aprender a aprender. “Superar a sua incapacidade treinada para fazer e aprender a pensar o que e como fazer. Assim, todas as áreas técnicas são importantes e necessárias e, ao mesmo tempo, podem ser repentinamente desvalorizadas; ou ganharem maior projeção, tudo em decorrência de tecnologias emergentes inesperadas. Aquele que desenvolve uma postura intelectual restrita a uma área momentaneamente mais promissora, porque restrita à tecnologia existente, é levado a identificar-se com os aparatos e as máquinas, a mitificá-los, sacralizá-los”, explica. 
 
Então, todas as áreas da Administração são promissoras ou não, dependendo do quadro de circunstâncias em que se vive. Ele avalia que a inovação é o apanágio da evolução do homem ao longo de sua história. Assim, as atuais inovações alucinantes marcam essencialmente teorias, conceitos e práticas da Administração. A racionalidade substantiva, a ética de convicções e o respeito à dignidade humana nas relações de trabalho tendem a se esvair em contextos organizacionais em que o cálculo utilitário passa a ser a referência dominante para a ação gerencial. 
 
“Os valores permanentes da vida humana se tornam prisioneiros, reféns da racionalidade instrumental, da busca obsessiva por resultados, da necessidade imperiosa de cumprimento de metas. As teorias de Administração precisam estar alertas para não se prestarem ao serviço de legitimação de iniquidades que atingem o ser humano moderno. É preciso romper o círculo de ferro intelectual que nos circunscreve exclusivamente a um único modelo focado e centralizado no mercado. Restaurar o que a sociedade de mercado deformou e até destruiu: os elementos permanentes da vida humana”. Enfim, é preciso estimular a formulação de uma nova Teoria Geral de Administração, que escape da caixa de aprisionamento do pensar e agir circunscrito à realidade da nova sociedade de mercado imposta por inovações tecnológicas impensáveis realizadas cotidianamente.
 
Para colocar a Administração no patamar que ela merece, ele afirma ser necessário uma profunda análise. “Nesses 50 anos de regulamentação, a profissão tem sido conduzida dentro do script disciplinar, burocrático e jurisdicista. Essa percepção generalizada que hoje se tem da profissão, é igual e, mesmo que o CFA ou os CRAs tenham tentado realizar ações para superar essa visão, a profissão ainda tem um papel secundário no elenco de profissões do Brasil. Essa reflexão é importante para produzir o novo no Sistema CFA/CRAs e reformular a estratégia das nossas ações para um papel marcadamente desenvolvimentista, orientado para afirmação do Administrador como categoria profissional relevante no seio da sociedade e no mundo das organizações”.