Um time de mulheres empresárias subiu ao palco do Teatro Lupicínio Rodrigues, na tarde desta sexta-feira (27), no Serrano Wish Hotel, em Gramado (RS), para um importante debate sobre mercado de trabalho e igualdade de gênero. O meeting, que integrou a agenda do XV Fórum Internacional de Administração (FIA 2017), foi mediado pela presidente do CRA-RS, Adm. Claudia Abreu, e contou com a participação da Adm. Juliana Furstenau, da Kia Sun Motors; Rochele Silveira, do Kurotel - Centro Médico de Longevidade e Spa; Bianca Bertolucci, primeira dama de Gramado (RS), e Simone Leite, presidente da Federasul.
 
“É um tema que, em 2017, ainda é muito relevante já que continuamos percebendo algumas limitações que devem ser discutidas”, enfatizou a Adm. Claudia ao abrir o encontro. Alguns dados comprovam a relevância do debate: mais da metade da população do Brasil, 51,5%, é composta pelo sexo feminino e, no mercado de trabalho mundial, segundo a Organização Mundial do Trabalho, as mulheres são mais de 49%, mesmo com pouca representatividade em cargos de liderança. Instigadas pela mediadora, as participantes do meeting compartilharam suas opiniões sobre os espaços da mulher na política e no mercado de trabalho, sem falar no seu papel como mães, líderes e educadoras.
 
Quando o tema é a presença feminina na política, os dados são alarmantes: no Brasil, apenas 10% dos deputados federais e 15% dos senadores são mulheres; até 2016, no Senado Federal, não havia banheiro feminino no plenário. A senadora Ana Amélia Lemos participou do meeting em vídeo e trouxe outras informações relevantes: no Brasil, as mulheres estão em 12% das prefeituras e são 13% as vereadoras brasileiras. Falou ainda sobre o crescimento delas nas Forças Armadas e em cargos de liderança pública, como nas chefias do STF, do STJ e da Procuradoria Geral da República. “São passos muito importantes”, destacou.
 
No ambiente empresarial, a empresária do Kurotel revela ter sido criada para o trabalho. “Quando um dos fundadores é mulher, existe uma tendência que mais mulheres ocupem cargos de liderança. Se faz sentido ou não, na nossa empresa faz total sentido. Acredito fortemente na meritocracia”, enfatizou. Já Juliana, a partir de sua experiência profissional a frente de um negócio de um setor predominantemente masculino como o automotivo, falou sobre o ingresso da mulher no mundo do trabalho. “Eu respeito quem queira se dedicar 100% ao filho, mas eu também exijo respeito por ter escolhido trabalhar”, argumentou. 
 
Do ramo industrial, Simone concorda que ainda há muito o que ser discutido em questão de gênero, mas defende que as mulheres também precisam repensar sua conduta no ambiente das organizações. “A postura dentro da empresa tem que ser outra. A discussão de igual para igual flui muito melhor”, ressaltou, falando sobre a importância de inserir esse debate no ambiente escolar. Bianca trouxe o exemplo dos brinquedos infantis para falar sobre liderança. “Fui comprar um presente para minha família e só me deparei com bonecas e panelinhas. As fábricas estão estimulando as mulheres a não serem líderes. É uma cultura que está muito enraizada. É preciso ter consciência e começar a mudar, mudar os pequenos detalhes”, afirmou.
 
O meeting foi idealizado com o objetivo de deixar um legado para a sociedade e a cidade de Gramado. Todos os participantes doaram um lenço, que foi destinado para a Liga Feminina de Combate ao Câncer local. Na oportunidade, houve também um sorteio de uma bolsa da marca Jorge Bischoff.