Na noite desta quinta-feira, 27, o Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS) promoveu, através da sua Câmara Especial de Gestão em Tecnologia e Inovação (CETInova), o evento virtual CRA-RS Recebe. Esta edição contou com a presença de especialistas em inovação, profissionais e estudantes de Administração e representantes da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Estado (Sict), apoiadora do evento. A temática em debate foi a área de inovação e cidades inteligentes, a partir do case de Pedra Branca, bairro planejado do município de Palhoça, na Grande Florianópolis (SC).

O coordenador da CETInova/CRA-RS, Adm. Silvio Denicol Junior, introduziu o painel apresentando a missão da Câmara, que é viabilizar e fomentar essas discussões no âmbito empresarial e institucional, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade e de empresas cada vez mais eficientes. O palestrante convidado, Diego Chierighini, que é engenheiro e mestre formado pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), iniciou sua fala explicando a história da Smart City.

No final da década de 90, uma fazenda familiar deu lugar a esse bairro diferenciado que, desde o seu princípio, teve como grande âncora a Unisul, que se instalou no empreendimento. O ecossistema foi desenvolvido como um bairro-cidade com a premissa de que seus moradores conseguissem realizar todas as suas atividades –morar, trabalhar, estudar e se divertir- em um raio de apenas 500m. Segundo ele, o projeto vem se adaptando às novas tecnologias, integrando-as, e investindo em infraestrutura pensando no futuro. Como exemplo, contou que a primeira rua com iluminação 100% LED da América Latina foi em Pedra Branca.

Diego também atua como diretor executivo do Instituto de Apoio à Inovação, Incubação e Tecnologia (Inaitec), organização sediada no bairro, que tem como propósito promover o desenvolvimento econômico regional por meio da inovação e da tecnologia. O Inaitec opera como uma incubadora de empresas e startups, auxiliando na criação e aceleração de negócios que trabalhem com produtos e serviços relevantes para as cidades do futuro. Assim, em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Palhoça, foi criado um Fundo Municipal de Inovação e uma nova legislação que incentivasse o crescimento da região.

“Esse processo atraiu muitas empresas de tecnologia, o que, consequentemente, possibilitou novos postos de trabalho na cidade com boa remuneração”, conta. Palhoça, relembra Diego, que tinha apenas serviços de baixo valor agregado, conseguiu se firmar como um ecossistema de inovação após essas mudanças. “Criamos uma sinergia que contribuiu não apenas para o desenvolvimento do nosso bairro, mas para toda a cidade, focando na sustentabilidade e qualidade de vida das pessoas”, afirma. Atualmente, Pedra Branca já possui 1.300 CNPJs e um faturamento de mais de um bilhão de reais. Após a apresentação, os participantes puderam debater e esclarecer suas dúvidas.