A conferência “Indústria 4.0 - Modelos sustentáveis” abriu a manhã do primeiro dia de trabalhos no XV Fórum Internacional de Administração (FIA 2017), em Gramado (RS). Mediado pelo presidente do CRA-MT, Adm. Helio Tito Simões de Arruda, o painel contou com a participação do vice-presidente de Operações da Stihl, Arno Tomasini, e de Daniel Duarte, responsável por identificar e desenvolver projetos de inovação e iniciativas chave para o crescimento em múltiplas linhas de negócio da SAP Labs América Latina.
 
“É uma grande oportunidade de mercado”, ressaltou o Adm. Arruda na abertura da conferência no palco ao lado de dois players já com experiência no tema da indústria 4.0. “Não é um bicho papão, mas temos que nos mexer”, concluiu Tomasini, ao apresentar a atuação da Stihl nesse cenário. Com 90 anos de história, a empresa familiar, hoje na terceira geração, entende a indústria 4.0 como uma oportunidade de aumentar a competitividade por meio de tecnologias de digitalização. “Isso é o que queremos e precisamos. É uma tendência no Brasil, mas não é homogêneo”, disse ele, destacando pesquisa da CNI em que 42% das empresas desconhecem a importância da digitalização nos seus negócios. 
 
Tomasini explicou que esse tipo de tecnologia traz consigo novas ciências, como robótica, simulação, integração de sistemas, internet da coisas, segurança cibernética, computação em nuvem, realidade aumentada e big data. E, com isso, vem surgindo novas profissões. “Na Stihl, trabalhamos com base em uma mandala, onde conectamos todos os sistemas”, exemplificou, ressaltando que, se comparado com outros países, como a Alemanha, a defasagem brasileira em termos de indústria 4.0 chega a pelo menos três anos. “É uma longa jornada”, disse ele.
 
“A indústria 4.0 já transforma a vida das empresas em três meses. Essa é a velocidade que estamos vivendo hoje”, comentou Duarte ao relatar a atuação da SAP em diferentes projetos. O laboratório de pesquisa e desenvolvimento da empresa, localizado no município de São Leopoldo (RS), conta com cerca de 1000 funcionários, sendo 84% deles da geração millennials, e turn over abaixo de 3%. Somente em 2017, foram contratamos cerca de 300 pessoas. “A indústria da tecnologia está contratando pesado. O que preciso desses novos profissionais?”, questionou. Duarte ainda abordou a temática do mundo inteligente. Segundo ele, ainda vivemos o nível fraco da inteligência artificial, no qual se não há catálogo (uma espécie de arquivo de informações), não há resposta, a máquina não responde. Falou ainda sobre a segurança cibernética, o que conforme ele, já é uma realidade. Ao encerrar sua apresentação, trouxe cases da SAP, com projetos do Incor (SP), da Stara (RS), da AEGEA (RJ) e do Burger King, relacionados ao tema. “Isso prova que a indústria 4.0 está em vários setores, em todos os lugares”, disse. Ao encerrar o painel, o presidente do CRA-MT conclui: “É uma evolução que as pessoas têm dificuldade de acreditar. O mundo mudou!.”