No dia 21 de novembro, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori anunciou um plano com o objetivo de conter a crise financeira no estado, que será encaminhado para a Assembleia Legislativa. Entre as medidas, estão a extinção de 11 órgãos ligados ao Executivo – nove fundações, uma companhia e uma autarquia – e a redução no número de secretarias, que passa de 20 para 17, com três fusões.
 
Uma das fundações que está prevista a extinção é a Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos do RS (FDRH-RS), órgão que hoje apresenta três áreas de atuação: administração de Concursos Públicos, gestão de Estágios e formação, assessoramento organizacional, dando suporte administrativo a municípios do Rio Grande do Sul. Ainda, integrada à Fundação, está a Escola de Governo do Rio Grande do Sul (EG), que é um sistema de formação continuada voltado aos servidores públicos e agentes sociais. 
 
Diante disso, um grupo formado por 17 Administradores da Fundação entrou em contato com o CRA-RS para discutir junto ao Conselho profissional o que pode ser feito para amenizar o impacto da eliminação de uma instituição como essa. O chefe de divisão de apoio da FDRH-RS, Adm. Juliano Fonseca explicou que eles são sensíveis à crise do Governo e entendem o corte de gastos e até mesmo a permuta do prédio para a Companhia Zaffari. “Nós elaboramos um documento com uma proposta de reestruturação e enxugamento da FDRH. Tentamos entregá-lo para o governo desde de agosto, mas nunca nos receberam. Mais de 80% dos cargos da instituição são voltados para concursados de 2010 que apresentam especialização e qualificação na gestão pública. O estado investiu em conhecimento e agora colocará isso fora”, lamentou. Sua colega, chefe de RH da Fundação, Adm. Ana Luiza, complementa destacando que é preciso, cada vez mais, profissionais qualificados e nos cargos corretos. “Hoje colocam qualquer formação para assumir a Administração. Por isso há brigadianos atuando na área administrativa enquanto deveriam estar promovendo a segurança nas ruas", disse.
 
O documento com o plano de reestruturação para uma nova FDRH está agora nas mãos dos deputados da Assembleia Legislativa, que votarão até o fim deste ano a favor ou contra o projeto. O chefe de divisão de Suporte Operacional da FDRH, Anderson da Cunha explicou que a qualificação do servidor tem obrigação de continuar. “A despesa da FDRH para o estado representa 0,019%. Ainda precisamos analisar que a capacitação dos servidores via fundação é muito mais barata que terceirizar de uma iniciativa privada”, destacou. 
 
Para o presidente do CRA-RS, Adm. Valter Luiz de Lemos, é preciso sim considerar os aspectos da crise e os organismos que devem ser melhor pensados e é de extrema importância o corte de gastos do Estado na atual situação, porém ele acredita que há uma precipitação nas medidas previstas. “Quem vai fazer a função da Fundação? Esse plano não está bem trabalhado, deve-se ter razões fundamentais para embasar tais medidas, o talento humano não pode ser desperdiçado”, ressaltou, lembrando que a ciência da Administração ainda não foi bem compreendida na gestão pública. 
 
A partir deste encontro realizado na tarde de ontem, foi feito um contato com o deputado e Administrador, Eduardo Loureiro, a fim de discutir o projeto de Lei proposto pelo Governo e entregar, em nome da FDRH, uma emenda que sugere o remanejo dos profissionais da Fundação para a UERGS, que têm a organização de cargos muito próximas. Neste sentido, o deputado Loureiro exalta que extinguir e manter as funções por meio de parcerias vai gerar um custo muito maior. “Muitos profissionais são de regime estatuário, por exemplo, terão que ir para outros setores e não terão a função indicada e melhor aproveitada naquele momento. É um discurso bonito, uma resposta imediata, porém indo a fundo aos números, se vê que essas extinções não irão tirar o estado da crise”, revelou, apontando que está se mexendo em áreas vitais e estratégicas. “É preciso sim fazer um enxugamento, mas não a extinção. No conceito de minimizar as despesas do estado, eu concordo e a maioria dos deputados também, porém dessa forma que está sendo imposto não está bem explicado”, esclareceu. 
 
Os deputados serão convocados até o fim do ano para a votação do projeto de Lei e posicionamentos. A equipe de comunicação do CRA-RS divulgará o desfecho do quadro.