Os direitos humanos e o papel dos Administradores neste contexto foi a pauta central do painel “Responsabilidade Social Empresarial: o trabalho decente como fator preponderante para o desenvolvimento sustentável da empresa”, na manhã desta quinta-feira (25/10), no XV Fórum Internacional de Administração (FIA 2017), em Gramado (RS). O papel da natureza social das organizações, as pesquisas e as experiências da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) foram abordados pelas conferencistas Ângela Pires Terto, assessora de Direitos Humanos do Escritório do Coordenador Residente da ONU no Brasil do Alto Comissariado as Nações Unidas para Direitos Humanos, e Karla Parra, especialista em Responsabilidade Social e Infância da UNICEF – OIT, com mediação do Adm. André Luis Saoncela da Costa, diretor do CRIE, do Conselho Federal de Administração (CFA).
 
Ângela abriu sua fala trazendo um histórico sobre a atuação da ONU em relação ao tema. “Quais seriam as questões dos direitos humanos que as empresas deveriam estar engajadas?”, questionou, falando sobre os três eixos norteadores de devida diligência propostos pela instituição – proteger, respeitar e reparar – que basearam os 31 princípios sobre deveres e responsabilidade dos estados e das empresas. “Essa discussão da responsabilidade corporativa e dos princípios norteadores vem desde a década de 70. Não deveria ser novidade para ninguém, temos muitos subsídios para conduzir essa questão dos direitos humanos nas empresas”, ressaltou, comentando sobre uma visita ao Brasil do Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, a qual constatou que as organizações, de um modo geral, conheciam quase nada sobre esses princípios. 
 
“Por isso, temos a tarefa de divulgar e engajar cada vez mais as empresas nesse tema”, disse, enfatizando que a responsabilidade aplica-se a todas as companhias independentemente de seu tamanho, setor e contexto operacional. “Temos que engajar todos em todos os momentos. O respeito aos direitos humanos deve ocorrer no ambiente de trabalho, no mercado, na comunidade. O engajamento dever ser do individual ao coletivo”, conclamou.
 
Trazendo o debate para o viés da infância, Karla abordou conceitos de responsabilidade social corporativa para mostrar como as crianças são um importante público afetado por esse tema. “Não há como dissociar infância dos negócios, uma vez que 30% da população mundial é criança ou adolescente”, afirmou, apontando ainda um cenário em que 215 milhões são submetidas ao trabalho infantil e 51 milhões não são registradas ao nascer. “Quem não é pai, mãe ou filho levanta a mão?”, provocou Karla ao público presente ao apresentar os dez princípios empresariais e os direitos das crianças. Entre os pontos que merecem atenção das organizações estão produtos e serviços seguros; ações norteadoras para o mercado; papel das empresas em situações de emergência; e o ambiente de trabalho, o que inclui temas como trabalho infantil e exploração sexual de meninas, trabalho decente de pais, espaços não amigáveis nas companhias em fases cruciais do desenvolvimento da criança, carga horária, salários e apoio à primeira infância, entre outros. “É preciso coragem das empresas, dos gestores, dos grupos de Recurso Humanos. É preciso aprender com eles (crianças e adolescentes) como fazer novas formas de negócios!”, enfatizou.