Mais de 400 pessoas participaram do Talk Show realizado na noite de ontem (8) pelo CRA-RS em parceria com a Unisinos em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Igualdade de gêneros, preconceitos, liderança feminina e movimentos representativos foram alguns temas levantados e discutidos pelas profissionais convidadas. 
 
Para a Adm. Cláudia Statdlober, coordenadora do curso de Administração da Unisinos e a primeira mulher a assumir a presidência do CRA-RS, durante a gestão 2011-2014, ressaltou a importância de realizar eventos como esse e valorizar esse tipo de encontro. “Precisamos analisar o presente e pensar no futuro. Vivenciamos uma era de transformação e momentos como esse servem para refletir e analisar o papel da mulher no mundo contemporâneo”, disse. 
 
A presidente do CRA-RS, Adm. Cláudia Abreu destacou que a data é um momento de reflexão sobre o que as mulheres estão fazendo para mudar o cenário do mercado de trabalho onde ainda existe preconceito. “O índice de mulheres em cargos de liderança já subiu bastante, mas ainda temos pouca representatividade nas empresas. É um desafio diário para nós, como mulheres, para as organizações e para os homens que fazem parte disso”, ressaltou, se referindo à pesquisa Pesquisa Women in Business, da consultoria Grant Thornton que mostra que o índice de mulheres em cargos de CEOs e de diretorias executivas no Brasil chegou a 16% em 2017. Ano passado esse número era de 11% e em 2015 de apenas 5%. 
 
As debatedoras convidadas a discorrer sobre o tema de Liderança Feminina foram a co-fundadora e CEO da Sonata Brasil, Soraia Schutel, a Adm. Margareth Drebes que atuou nas lojas Lebes durante 32 anos e participou de sua expansão, a francesa Diretora do Conselho Estadual da Mulher Empresária de Santa Catarina e consultora do Springboard Brasil, Corinne Giely Eloi e a consultora de gestão de pessoas e especialista em inteligência emocional, Alessandra Gonzaga. 
 
Soraia abriu a conversa apontando que a luta por uma igualdade de gêneros não é uma causa da mulher, mas sim uma causa humana. “Antes de ser feminista, eu sou humanista. Os homens são fundamentais para discutir sobre o novo papel da mulher. É um tema de importância para a humanidade”, exaltou, acrescentando que antigamente as mulheres só tinham a função de procriar. Ela também trouxe ao público alguns exemplos de lideranças femininas como Michele Obama; Malala Yousafzai – ativista paquistanesa que foi a pessoa mais nova a ser laureada com um prémio Nobel; Ana Paula Padrão, jornalista que fundou uma escola de empoderamento e empreendedorismo feminino que já soma a participação de mais de 250 mil mulheres e Marli Medeiros Vila Pinto, líder comunitária e fundadora do Centro de Educação Ambiental Vila Pinto em Porto Alegre. “Todas elas têm uma característica comum: agir por um mundo melhor. São mulheres que viram protagonistas de suas histórias e saem dos bastidores”, disse, afirmando ainda que a mulher não é um objeto, é um ser humano que pode mudar a sociedade. 
 
Corinne compartilhou sua experiência no mercado de trabalho. “Cheguei num teto de vidro. Tinha muitas qualificações e expertise para as vagas superiores, mas não consegui mais subir de cargo. Resolvi largar o emprego quando vi que quem assumiu a vaga que eu almejava era alguém com conhecimento muito inferior a mim, mas era homem”, ressaltou. Neste sentido, Alessandra complementou que analisando a inteligência emocional das mulheres, elas nunca se acham boas o suficiente. “Nos achamos responsáveis pelo o que acontece com a gente e com as pessoas ao nosso redor”, disse. Já Margareth apontou que a falta de medo sempre foi o que levou ela adiante. “Trabalhei durante 15 anos e depois que tive condições de cursar Administração de empresas. Aliar a teoria com a prática foi sensacional.” 
 
Sobre o medo, Alessandra apontou que é um hábito. “A gente se acostuma a não se arriscar, a não tentar”. Margareth também salientou que uma competência de liderança é o autoconhecimento, mas que muita gente tem medo de se conhecer. Neste sentido, Soraia realçou que o autoconhecimento é um processo contínuo. “Na crise, por exemplo, é preciso mudar e para isso precisamos nos conhecer e como iremos responder a essas mudanças”, frisou. 
 
Ao fim, as profissionais deram dicas tanto para as mulheres, quanto para os homens da plateia. Na visão delas, é preciso sair da zona de conforto, descobrir onde você é boa, ser persistente, ter um propósito e estar rodeada de pessoas que te agreguem experiências. Já para os homens, elas destacaram que o machismo ainda é algo intrínseco na cultura. “É preciso educar o menino igual a menina. Não trata-los de jeito diferente”, sugere. Soraia completa dizendo que no momento que esse tipo de encontro, de reflexão, não será mais necessário, é porque a sociedade estará no caminho certo da mudança. 
 
Para enriquecer ainda mais o evento, a cantora transexual, gaúcha natural de Santo Ângelo, Valéria Houston se apresentou com clássicos da música brasileira e foi muito aplaudida pelo púlbico.