Na manhã desta sexta-feira, 07, o Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS) promoveu, através da sua Câmara Especial de Ensino, o evento virtual CRA-RS Recebe. A edição reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais da Administração para debater os desafios da igualdade de gênero.

As convidadas, Juliana Saboia, mestre em Administração e Negócios e especialista em Marketing, e Aline Mendonça Fraga, doutora, mestre e bacharela em Administração pela UFRGS, iniciaram o painel trazendo um panorama histórico da inserção feminina no mercado. Durante muitos séculos a mulher foi vista como propriedade do ambiente familiar, como mãe, filha e esposa, e somente no período pós-guerra a sua força de trabalho começou a ser de interesse da sociedade e, segundo elas, esse processo tem impacto direto nos dias de hoje. 

Apesar das mulheres estudarem e trabalharem mais do que os homens, Juliana explicou que ainda há uma disparidade salarial e de oportunidades. Em sua pesquisa, percebeu que a falta de representatividade das mulheres em altos cargos influenciava a percepção das futuras administradoras sobre as suas possibilidades de carreira. A partir de um estudo em 87 instituições de todo o mundo, foi confirmado que empresas com programas de liderança feminina ou que possuem mulheres atuando no conselho executivo têm melhores resultados financeiros. 

“Na área dos negócios somos ensinados que o importante é aquilo que dá resultado. Com esses dados percebemos que diversidade e equiparação de gênero é o que funciona, mas então porque ainda temos tão poucas organizações investindo nessas políticas?”, questiona. Além disso, as mulheres são as primeiras a serem demitidas em momentos de crise, o que demonstra essa perpetuação da visão do homem como o provedor da família e a falta de valorização da carreira feminina. 

Complementando a discussão, Aline afirmou que falar sobre gênero abre espaço para entendermos outros marcadores de discriminação, como raça, sexualidade, identidade, classe social, deficiência, entre outros, salientando a importância de fazermos esse recorte. Para ela, gênero não é uma pauta apenas sobre mulheres, e sim sobre ambos, sobre as relações entre homens e mulheres. “Eu não vejo como vamos ter condições de evoluirmos economicamente enquanto país se excluímos a chance de mais de 50% da nossa população desenvolver suas próprias carreiras”, disse. 

Por fim, Aline defendeu a necessidade de levar essa pauta para dentro de sala de aula, procurar referências bibliográficas femininas, ouvir, ler e estudar mulheres, destacando a invisibilização que muitas autoras da área sofreram em suas próprias pesquisas. Também, foi comentado sobre a importância de um código de conduta para as empresas, o que pode auxiliar na diminuição de situações de assédio e preconceito. Após as apresentações, os participantes puderam esclarecer suas dúvidas e conversar com as convidadas.