Segurança máxima. Assim foi a inserção da comitiva liderada pelo CRA-RS na gigante europeia quando falamos em produção de aviões: a AIRBUS. A visita técnica a uma das fábricas principais da empresa, localizada na Alemanha, em Hamburgo, trouxe conhecimento em gestão e logística aos participantes. Nas dependências da empresa é absolutamente proibido tirar foto, é o nível de cuidado que possuem para evitar qualquer tipo de sabotagem. O grupo seguiu para a área onde se realiza a montagem dos aviões passando por um túnel de entrada construído em 1930, porém, em 1945, cerca de 55 tropas inglesas ocuparam as instalações e somente em 1956, a organização conseguiu de fato autorização para a fabricação de aviões no espaço. 
 
O mais interessante da AIRBUS é a produção das peças serem fabricadas em diferentes locais e transportadas de um lado para o outro até chegarem na montagem final. Para dos aviões, principalmente as cabines, são produzidas na Alemanha (Hambrugo), já as asas, por exemplo, são feitas na França, em Tolouse e o leme (parte traseira do avião) é confeccionado na Inglaterra. A montagem final normalmente acontece na Alemanha ou na China. As rodas e turbinas são terceirizadas. 
 
Na Alemanha, a empresa é constituída de 17 mil funcionários: 13 mil fixos e 4 mil colaboradores terceirizados. No entanto, no mundo todo são cerca de 70 mil colaboradores, além desses, mais 50 mil empregados terceirizados. Em Hamburgo o local foi aterrado para a expansão da fábrica em função do novo projeto, o A380, resultando 2,3km² de área.  Ainda, para 2018, a meta da empresa é a fabricação de 60 aviões por dia: 35 em Hamburgo, 17 na França, 4 na China e 4 nos Estados Unidos. A língua oficial praticada internamente é o inglês. 
 
De acordo com o profissional que guiou a visita dos Administradores, o equilíbrio e funcionamento da AIRBUS só são mantidos devido a cooperação entre França, Alemanha, Espanha, Inglaterra e China perante a cooperação dos países no cumprimento das legislações. A sede Administrativa fica em Amsterdam. 
 
As principais famílias das aeronaves são o A330, A380, A350, A320 / A321. Começando pelo A350, é o modelo mais econômico fabricado na Alemanha e montado na Espanha. Comporta cerca de 420 passageiros e foi o primeiro avião da empresa com fuselagem e a estrutura das asas constituídas principalmente por plástico reforçado de fibra de carbono. O principal cliente deste modelo é o Emirates que comprou 142 máquinas. 
 
O A321 basicamente é o A320, porém alongado e com capacidade para 220 lugares ou 240 de forma econômica. A média de tempo para fabricar um avião deste porte é de cinco meses e sua vida útil é de 20 a 30 anos, dependendo da área de pousa e tempo de uso. Os principais clientes deste modelo são a China, Índia, Malásia, Indonésia e os Estados Unidos. O custo deste avião é de 90 milhões de dólares.  
 
A ilha de montagem final produz em média oito aviões em cinco dias, trabalhando cinco dias por semana, 14 horas por dia. Os participantes puderam conhecer também a área de pintura e o controle do ambiente. Além disso, o cliente da AIRBUS pode estar presente e observar a montagem de todo o processo quando a aeronave está em produção. Quando pronto, o avião passa por um teste final de cinco a seis horas de voo. 
 
Mas, o mais importante e valioso projeto da empresa é o A380. Ele durou mais de dez anos e consumiu 12 bilhões de euros da gigante europeia. O modelo custa em média 450 milhões de dólares e tem capacidade de até 800 passageiros. A fabricação dura cerca de um ano e 200 aviões já foram entregues, 80 só para os Emirates. Além disso, a montagem final acontece na França, mas ele volta para a Alemanha para avaliação e testes finais. O modelo faz de 800 a 900 km/h. De acordo com o guia, a venda está mais devagar do que o esperado, mas estão entregando em média um avião por mês na Alemanha. 
 
O CRA-RS estava na tentativa para a realização da visita há algum tempo, e somente agora foi possível, devido aos processos intensos de segurança. A experiência foi uma verdadeira aula para os participantes que conheceram uma empresa com tecnologia de ponta, exemplo em logística e gestão. A autarquia foi o primeiro conselho profissional do Brasil que ingressa e aprecia a linha de montagem do maior avião do mundo.