Inovação só é possível acontecer se você olhar para o mundo e resolver os problemas. Em uma realização da Câmara Especial de Gestão em Tecnologia e Inovação do CRA-RS, Sathish Bala, palestrante, empreendedor e especialista em Marketing Digital, falou sobre o tema a acadêmicos dos cursos de Administração, Marketing, Processos Gerenciais, Gestão Comercial e Logística, além do público interessado em evento na Universidade La Salle, em Canoas, na última semana. Frente a um auditório lotado, Bala contou sua trajetória de vida para mostrar como a inovação está presente no dia a dia dele. O evento também contou com a presença do coordenador da Câmara de Inovação, Adm. Silvio Denicol, da Adm. Nadir Becker e do Adm. Carlos Sabrito, membro da Câmara de Ensino.
 
Nascido em uma família tradicional indiana, Bala se viu frente aos desafios do empreendedorismo desde sua infância. Ao decidir dar um rumo à carreira diferente do desejado pelos pais, o empreendedor se colocou diante de diversas situações em que a inovação era fundamental. “Nos últimos 30 anos, tudo o que aconteceu tem a ver com inovação. Inovação é sair da caixa”, disse ele, ao contar fatos de sua trajetória e mostrar exemplos de empresas derrotadas ao não dar importância à isso, como Kodak, Blockbuster, entre outras.
 
Como um dos fundadores da Science Discovery Zone, uma espécie de coworking direcionado para profissionais da área de ciências, Bala já ajudou na abertura de mais de 40 startups e mais de 150 empresas no Canadá. “Com esse projeto, temos 1% de chance de mudar o mundo. Eu gosto de oportunidades de 1%”, disse ele, fazendo ainda um comparativo da inovação no Canadá e no Brasil, onde, segundo ele, as pessoas têm paixão pela mudança. Questionado se a inovação pode acontecer em qualquer idade, ele foi enfático: “Aos 44 anos eu comecei seis novos negócios. Você precisa achar uma razão mais profunda para isso. Eu só me importo com o que eu fazer no futuro. Ou seja, não deixe a expectativa definir o seu futuro”, finalizou.
 
No Congregarh 2019 – Antes da palestra ministrada no evento da Câmara Especial de Gestão em Tecnologia e Inovação do CRA-RS, Sathish Bala visitou o estande do CRA-RS no Congregarh 2019, realizado na PUCRS.  No local, concedeu breve uma entrevista sobre liderança, tema geral do evento. Confira:
 
Qual a diferença entre um chefe e um líder? 
Historicamente, somos ensinados como ser um chefe. Toda aula de negócios te ensina como ser um chefe, como empregar e contratar pessoas e dizer para elas o que fazer, dar tarefas para elas executarem e depois irem para casa. Mas, para o real sucesso no mercado global competitivo, nós não queremos que as pessoas trabalhem para um chefe, nós queremos times inspirados por líder. E a diferença que esses dois têm (chefe e líder) é que, com o último, os colaboradores não agem como empregados, mas como parte da empresa. Ele não só param de trabalhar às 5 da tarde e começam às 9 da manhã, eles se importam em como ajudar a empresa a atingir o sucesso. Como líder, para construir uma empresa assim, você precisa se perguntar “Como eu posso incentivar o sucesso de todas as pessoas que trabalharam para mim?”. E não falo do sucesso a partir do seu número de títulos, mas como seres humanos. Então, para mim, líder é como as pessoas o chamam quando você as inspira a serem melhor do que elas pensam que são. A verdadeira companhia foca em aplicar esses valores, incentiva seus colaboradores a irem trabalhar, a fazer parte de um processo mágico. Para mim, isso é liderança. 
 
Como isso é importante para a empresa? 
Toda companhia tem um propósito: estar no mercado para fazer dinheiro. Mas, em qualquer mercado, há uma questão óbvia: para fazer dinheiro, você precisa de colaboradores que façam da sua empresa a melhor do mercado. Do recepcionista ao webdesigner e ao entregador. Todo mundo está formando a visão da empresa, e se os consumidores acreditam nessa visão, eles vão comprar seu produto. Então, como uma pessoa de negócios, se você quer fazer muito dinheiro, se quer dobrar, triplicar os lucros da sua empresa, mais do que vender um produto, você precisa criar uma cultura de propósito. Porque as pessoas compram de pessoas, nós não compramos coisas. Se pessoas compram de pessoas, então o líder de uma boa empresa sabe que todos os colaboradores são a linha que faz a empresa existir. Pense em um exemplo simples: uma empresa pode vender uma caneta e anunciar: “Eu tenho uma caneta azul, que custa R$0,99.” Alguém vai comprar. Mas, se outra empresa anuncia: “Nós fazemos canetas para novas grandes histórias que não foram contadas ainda” e se todas as pessoas da empresa acreditam que o que eles fazem vai ajudar a escrever um livro incrível, com grandes histórias, eles não estão mais vendendo uma caneta, estão vendendo a visão do que a caneta pode fazer. Então, se o consumidor está procurando uma caneta, o que ele vai comprar? Uma caneta de R$0,99 ou uma ferramenta de R$5 que vai ajudar a escrever o maior livro que teve?
Tudo que fazemos no comércio é emocional, as pessoas compram por emoção e então decidem racionalmente em ficar ou não com aquele produto. É por isso que as empresas fazem promoções, 9% OFF, emocionalmente você compra, mas depois se pergunta se realmente precisa daquilo. Então, para sua empresa ter sucesso, como líder, você tem que entender porque as pessoas vão comprar seus produtos. E para elas comprarem seu produto, todo mundo que trabalha na sua empresa precisa ter paixão e estar na mesma sintonia. O único jeito das pessoas gostarem de você depois das 5 da tarde é fazendo elas acreditarem que estão lá pelo motivo certo e você, como líder, se importar com o sucesso individual delas, mais do que quantas canetas você irá vender.