Aprofundar o diálogo e propiciar a troca de conhecimentos e experiências em relação ao tema “Empresas e Direitos Humanos”. Esse foi o foco do meeting “Responsabilidade Social Empresarial”, iniciativa inovadora do XV Fórum Internacional de Administração (FIA 2017), realizado na tarde desta sexta-feira (27). O debate foi conduzido por Maria Eduarda Dantas e Ângela Pires Terto, assessoras de Direitos Humanos do Escritório do Coordenador Residente da ONU no Brasil do Alto Comissariado as Nações Unidas. 
 
O encontro, que contou com ampla participação do público, teve como objetivo principal destacar a importância das empresas como protagonistas de mudanças relevantes para a sociedade, assim como, mostrar os direitos humanos como ferramenta útil à adaptação das organizações em uma realidade social cada vez mais complexa e dinâmica, além de ser uma ferramenta de aprendizado. “Não é obrigatório, mas esse entendimento é necessário aos Administradores de hoje em dia”, disse Maria Eduarda.
 
Como introdução ao debate, ela trouxe aos participantes três grandes mitos sobre o tema como forma de equalizar o entendimento sobre o assunto. O primeiro diz respeito à origem das normas e estabelecimento de expectativas. Segundo a palestrante, as empresas também participam da criação de normas, leis, políticas públicas e processos regulatórios. “Temos que quebrar a visão de que somente o Estado faz isso”, salientou. Falou também sobre o mito da relação entre estado e empresas, o que, na opinião dela, não são coisas separadas. “Em determinados contextos, o estado é um dos principais atores econômicos, já em outros há empresas do tamanho do estado”, exemplificou. E, por fim, trouxe o mito da natureza da relação entre empresas e direitos humanos. “Os direitos humanos são uma ferramenta valiosa para a sobrevivência e o crescimento das empresas e não algo antagônico”, ressaltou. 
 
Ângela, que também participou de painel sobre o tema na manhã de quinta-feira (26), no XV FIA, reforçou o conceito de devida diligência junto aos participantes do meeting. Trata-se do compromisso político fundamental para formação de uma cultura de direitos humanos nas empresas, o que inclui a escuta dos grupos mais vulneráveis em toda a cadeia de valor, a compreensão do contexto e a integração do assunto ao processo de gerenciamento de riscos nas companhias, aos seus negócios e às estratégias de sustentabilidade. Abordou ainda quatro passos a serem observados em devida diligência: avaliação de impacto; integração e ação; comunicação e monitoramento. 
 
Na oportunidade, ela trouxe um estudo de caso para abordar a avaliação dos impactos dos direitos humanos nas empresas e a importância desse mapeamento por parte das companhias. “As preocupações com o negócio devem incluir temas relacionados aos direitos à educação, à moradia, ao trabalho, à liberdade religiosa, entre outros”, citou ela, enfatizando essas como questões a serem consideradas na forma como o negócio está estruturado. “Todos somos corresponsáveis. Como sociedade complexa precisamos considerar várias questões”, concluiu Ângela, enfatizando que, certamente, o respeito aos direitos humanos aumenta lucro das empresas