A busca da solução de problemas de forma criativa, mais conhecido como empreendedorismo, tema que o Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS) levantou durante todo o ano de 2017 diante da importância de impulsionar novos negócios no contexto atual brasileiro, abriu o segundo dia de palestras do XV Fórum Internacional de Administração (FIA 2017), nesta sexta-feira (26), em Gramado (RS). Os conferencistas internacionais Miguel Trigo, Co-Fundador do Coolaboraction e Diretor do ProjEst-Q na Universidade Fernando Pessoa e Sathish Bala, empreendedor e representante da Ryerson University, em Toronto, no Canadá, abrilhantaram a manhã com discursos motivadores contando sobre suas experiências e trajetória na área. O mediador, superintendente do CRA-RJ, Leonardo Fuerth, comentou que as startups invadiram o mundo e estamos prestando e consumindo seus serviços todos os dias. 
 
“Ouse fazer diferente, mas não espere que será fácil. Como começar? Pare de falar e comece a fazer”, declarou Miguel Trigo, que afirma tentar aprender algo novo todos os dias. Para ele, transformar uma ideia numa startup é um problema de busca por negócios que façam sentido. “Nesse processo erros são fundamentais, no entanto precisamos cometer erros novos e aprender com os antigos”, disse. Ao contrário do que muitos pensam, uma startup não é uma versão pequena de uma grande empresa, de acordo com Trigo, é uma organização temporária que está buscando um modelo de negócio escalável, repetível e rentável. “Antes de encontrar isso, todo o resto não importa. Para que contratar pessoas se não tenho um modelo com propósito? Falo de propósito para mim e para o mercado”. Nesse contexto, ele destacou alguns nomes que considera inspiração quando falamos de empreendedorismo: Steve Blank, Eric Ries, Altman Kim & Mauborgne. 
 
Em relação ao empreendedorismo por oportunidade, Trigo é contundente com seu ponto de vista: “a principal falha de startups é não estudar o seu mercado. Não há pior coisa que desenvolver algo fantástico que ninguém quer”. Ele pontua alguns pontos fundamentais na hora de empreender, como saber quais são as necessidades do mercado, encontrar os canais certos para que os potenciais clientes lhe conheça, entender o modelo de negócio adequado para o produto ou serviço, sem investir muito dinheiro. “E tudo isso deve ser feito em conjunto, o que não pode é perder tempo”, frisou. 
 
O professor português trouxe ao público uma verdadeira aula de empreendedorismo. Trigo apresentou o “Ciclo da Startup” que dá enfoque a três pontos: criar, medir e aprender e enfatizou ainda o mercado e a proposta de valor do que está sendo oferecido. “O teste vai me ensinar e após disso irei registrar os conhecimentos que, por fim, resultará em hipóteses da minha ideia, se ela é válida, inválida ou se eu ainda não tenho certeza, o que significa testar mais”, apontou, acrescentando que se a proposta for legitimada o próximo passo é a execução. Para Trigo, as provas triunfam sobre as opiniões. “Fracassar de forma rápida e barata é uma das vantagens da Amazon, que por fazer muitos testes empreende com muito mais certeza. Alterações mínimas podem alterar resultados”, analisou, lembrando que os experimentos são diferentes da realidade e, por isso, deve-se estar preparado para as adversidades do mercado. Por fim, ele deu um conselho a todos os participantes: “quer se diferenciar? Leia! Nós estamos num mundo que muita gente deixou de ler e isso se tornou uma vantagem competitiva.” 
 
Pela primeira vez no Brasil, o representante da Ryerson University, Sathish Bala, enalteceu que o empreendedorismo não é tão simples quanto parece. “É uma jornada de autoconhecimento, de aprender consigo mesmo e aconstruir algo que dê apoio à economia, ao desenvolvimento do meu país”, realçou, contando que no Canadá essa cultura é muito forte e, mais ainda, na Ryerson. “Se o aluno tem uma ideia em sala de aula, ele vai para um local específico para testar o que está aprendendo e ser auxiliado no que precisa para que isso saia do papel”, explicou, contando que a universidade apresenta 10 zonas de empreendedorismo, cada uma com sua área de estudo, a de Sathish é a da ciência da computação. Em suma, a Ryerson é um ecossistema de inovação em que quebrar modelos, encontrar novos caminhos e fazer parte desse processo é mais importante que a teoria do ensino tradicional. 
 
A trajetória para chegar onde está hoje não foi fácil. Sathish, que saiu da Índia e foi para o Canadá com 14 anos, percebeu muita diferença entre os países, já que na Índia não havia perspectiva de crescimento para a população e, inclusive, as palavras utilizadas no sistema de ensino eram outras. E esse foi um dos motivos para que agora, como empreendedor reconhecido mundialmente, criou um negócio a fim de ajudar sua comunidade. “Quando você conseguir ultrapassar o medo, você pode ser o que você quiser”, afirmou, contando sobre o Desi Fest Toronto, um festival de música do Sul da Ásia que reuniu mais de 500 mil artistas.
 
Para ele, nada é mais importante do que a sua equipe e a paixão que é depositada no negócio. “Todos pensam que o sucesso é um objetivo, mas isso tem muito a ver com hábitos, o que você faz desde que acorda. É um processo que envolve construção de relacionamentos autênticos, gerenciamento de dinheiro. Quando você abrir uma empresa ninguém vai se lembrar do que você fez, mas sim de como você o fez sentir e isso é unanimidade, seja uma companhia de um milhão de dólares ou para um vendedor de balas na esquina”, finalizou, encantando o público com seu carisma e conhecimento.