DO MINHOCÁRIO AO COMPUTADOR: Ações Estratégicas para a mudança organizacional em uma Instituição de Ensino Superior

14/11/2014

RESUMO: Este artigo procura apresentar um conjunto de ações estratégicas para a implantação de um processo de mudança organizacional em uma Instituição de Ensino Superior. O objetivo foi destacar a importância de um processo participativo para gerir as propostas que visam trabalhar as ações estratégicas de uma IES. Como resultado esperava-se a estruturação das condições mínimas necessárias para transformar a IES em uma Universidade.

1.   APRESENTAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
A FEEVALE, instituição educacional filantrópica, surgiu da conjugação de esforços da comunidade hamburguense. Em 1969, um grupo de pessoas idealizou um Centro de Ensino Superior que atendesse ao Vale do Rio dos Sinos, propiciando ensino e treinamento artístico-profissional aos estudantes da região. Apoiados pelo governo municipal e estadual, e preocupados com a formação cultural dos jovens dessas comunidades, o grupo elaborou, montou e encaminhou o projeto que viabilizaria a criação de uma Federação de Ensino Superior, cujo alicerce foi o então Instituto de Belas Artes de Novo Hamburgo. Enviado a Brasília e cumpridas as prerrogativas legais, o governo federal aprovou a criação da FEEVALE pelo Decreto Federal 66.265 de 26 de fevereiro de 1970. O prédio, no qual funcionava já um Curso de Educação Artística mantido pelo IBA (Instituto de Belas Artes) acolheu os primeiros cursos superiores oferecidos pela nova Federação.
Para fins de constituição jurídica, foi instalada a primeira diretoria da ASPEUR - mantenedora da FEEVALE, sendo reconhecida, primeiramente, como instituição de utilidade pública municipal em 23 de agosto de 1969. Pouco tempo depois, em 20 de novembro do mesmo ano, a ASPEUR foi decretada como associação de utilidade pública estadual e, finalmente, em 23 de outubro de 78, reconhecida pelo decreto federal de n?. 82.474.  Representando legalmente a instituição, a mantenedora responsabilizou-se pelo seu patrimônio, recursos humanos e tecnológicos que vêm sendo, sistematicamente, aperfeiçoados e ampliados. Nesse sentido, desde o primeiro presidente da ASPEUR, senhor Martins Avelino Santini, até a atual presidência, os membros da mantenedora colaboram em caráter filantrópico, viabilizando e aprovando novos projetos, adotando metodologias avançadas e aprimorando o atendimento à comunidade acadêmica, empresarial e demais integrantes da região geoeducacional de sua abrangência.
Na oportunidade, a ASPEUR/FEEVALE oferecia dez cursos superiores, mantendo, também, uma Escola de 1? e 2? Graus. Além disso, estão em andamento cursos de pós-graduação, diversos cursos de extensão e todo um aparato técnico-científico-cultural que atende os diferentes segmentos da comunidade.

2.   FEEVALE ANO 2000
Ao assumir a direção da Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo - FEEVALE, em primeiro de setembro de 1994, nós o fizemos com o propósito de modificar os paradigmas e a ação comunitária desta instituição. A convite de sua mantenedora - ASPEUR -, aceitamos o desafio de gerir o ensino e a pesquisa, com o olhar voltado para o ano 2000 e a firme convicção de que nos anos seguintes antigas estruturas poderiam dar lugar a uma Instituição de ensino superior nova e singular. A mantenedora, após estudo realizado por uma experiente consultoria, cujo estudo balizou-se em cooperação com as lideranças internas da instituição, traçou o perfil da administração que julgava a mais conveniente para dar início a um novo processo de formação dos corpos docente, discente e administrativo.
Partindo desse contexto, elaboramos o documento “FEEVALE ANO 2000”, onde registramos as metas a serem atingidas até o novo milênio. Desde a alavancagem do novo processo institucional até os dias de hoje, julgamos pertinente uma retomada das atividades e programas instaurados na instituição. Assim, acreditando como Marcel Proust, que “A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”, registramos nossa trajetória  frente à direção da FEEVALE, durante a qual buscamos a excelência do ensino e da pesquisa visando a consagração de uma universidade exemplar.
Nesse sentido, delineamos como alicerce a transformação da instituição em Centro de Excelência, onde as novas idéias, técnicas e produtos gerados interna e externamente fossem transferidos para a comunidade. Para isso, iniciou-se a implantação do Programa de Qualidade Total, para aperfeiçoamento e qualificação do quadro funcional e corpo docente. Paralelamente aos encontros e reflexões, através dos quais professores e funcionários foram chamados a repensar seu papel e sua postura profissional, agregaram-se, sucessivamente, outros valores à nova trajetória da instituição. Buscou-se então, junto à comunidade, o engajamento às três áreas educacionais prioritárias: o ensino, a pesquisa e a extensão, ao mesmo tempo em que, internamente, perseguia-se a excelência nos três graus de ensino.
Com esse marco inicial, nossa meta era a de integrar ao corpo docente mestres e doutores, tanto para a capacitação intelectual e científica da comunidade acadêmica, como para a transformação da FEEVALE em universidade. O corpo discente, por sua vez, poderia ser gradativamente aumentado, chegando-se a um total de quatro a cinco mil alunos, triplicando a oferta atual da instituição. Para tanto, previmos no documento FEEVALE ANO 2000 ações que integrassem a pesquisa de mercado, o desenvolvimento de recursos humanos e a informatização, além do oferecimento de novos cursos em consonância com o mercado de trabalho, e a transformação dos cursos atuais, implementando currículos e programas aos novos rumos do desenvolvimento tecnológico.

3. AÇÕES DESENVOLVIDAS
3.1. ÁREA DE ENSINO
A fim de atender os três níveis de ensino, traçamos um plano de ação integradora, investindo em ações que beneficiassem o primeiro, segundo e terceiro graus simultaneamente.
Para o primeiro grau, ampliou-se o espaço físico e implantaram-se novas tecnologias à comunidade acadêmica. Visando a uma aprendizagem diferenciada, instalou-se na área onde existira  um horto florestal, um minhocário, realizando-se, concomitantemente, a recuperação da área verde existente. Esta ação teve a singularidade de iniciar um projeto de conscientização ecológica tanto de alunos como de professores. Os alunos, partícipes da conservação do minhocário, passaram a observar a alimentação das minhocas, o que era efetuado com restos de comida da lancheria próxima. A partir dessa vivência, teve início o processo de conscientização ecológica construído pelas próprias crianças, que começaram a preocupar-se com os resíduos de seus alimentos, inclusive em suas casas. Além disso, a horta com estufas e sementeiras passou a ser utilizada como um ambiente de estudo para esses alunos. Ali podiam plantar, observar o crescimento de legumes e verduras, colhendo-as e levando-as para seus lares. O consumo de alimentos cultivados por eles mesmos, no dia-a-dia da escola, integrando uma aprendizagem prática, trouxe aos  alunos a experiência direta do que vinha a ser adubação natural, produtos ecológicos, além de outros conceitos antes conhecidos apenas através de uma teoria estática. Nessa perspectiva, a produção de humus, acompanhada diretamente pelas crianças junto ao minhocário, foi de fundamental importância para o início de uma nova etapa de aprendizagem.
  Assim, visava-se, objetivamente, estimular no educando sua inter-relação com o meio ambiente, entusiasmando também os professores e o corpo diretivo da escola. Da mesma forma, buscava-se estender aos pais e familiares de nossos alunos o mesmo entusiasmo e o amor às coisas da terra, partindo-se da ação dos pequeninos para atingir e envolver o universo adulto.
Embasados no sucesso dessa experiência, pioneira na instituição, deu-se continuidade ao processo de educação integrada através da implantação do Laboratório de Informática Educativa. Para concretização dos objetivos propostos, foi realizada a primeira Feira de Informática, com exposição de trabalhos desenvolvidos por alunos de escolas de primeiro grau da região. Igualmente, os Laboratórios de Línguas - com projeto para o ensino de inglês, espanhol, francês e alemão - foi outra atividade cuja implantação iniciou-se em nossa administração.  Aliou-se a isso o oferecimento de aulas de artes e educação física, uma escolinha de futebol, tênis e natação.
Pelas iniciativas e realizações até então desenvolvidas, executávamos a filosofia pela qual nos comprometemos já no início de nossa gestão. Oferecia-se aos alunos aperfeiçoamento tecnológico, ambiental, científico e esportivo, integrando-se a aprendizagem e a recreação.  Foi a forma que encontramos para fazer o novo, acreditando que é possível recriar e transformar antigos processos, fazendo de velhas fórmulas idéias sempre novas, através do trabalho, do ensino, da pesquisa e da fé na potencialidade humana.
Além do desenvolvimento de atividades diferenciadas, novas turmas foram abertas em 1995, aumentando-se de 36 alunos em 1994 para 150 o número de alunos em 1995.

À nível de segundo grau, implementaram-se os Laboratórios de Anatomia, Química e Física, criou-se o núcleo CAD para modelagem e o Laboratório CAD (Computer Aided Design), tanto para o curso técnico da área calçadista como para aprimoramento das demais habilitações. Ainda, como alicerce para a preparação do corpo discente, colocamos à sua disposição projetos de Português e Matemática e o Laboratório de Línguas e Informática Educativa (em conjunto com o primeiro grau) reforçando seu conhecimento em áreas fundamentais à continuidade de sua educação no nível superior. Assim, direcionamos a formação de nosso aluno para o terceiro grau, uma vez que  ele utiliza toda a infra-estrutura da instituição.
Outro projeto pioneiro iniciou-se através de convênio firmado com a Alemanha, objetivando a criação de uma Escola de Artífices, que integrará o segundo grau e a Faculdade de Belas Artes. Esta ação, também pioneira a nível estadual, serviria para a preparação de mão de obra para o setor de Construção Civil, voltando-se a FEEVALE para mais um mercado potencial. Além disso, também no segundo grau foram abertas novas turmas, passando-se de 650 alunos em 94 para 850 alunos já em 95.

O terceiro grau, composto de dez cursos de graduação, recebeu atenção especial em todas as áreas, buscando-se privilegiar as peculiaridades de cada curso.
Para a Escola de Educação Física, idealizou-se o Centro Comunitário/Esportivo da FEEVALE, cujo projeto encontra-se já em tramitação no Ministério da Educação. Objetivando o atendimento  comunitário, esse projeto visa o acolhimento de crianças carentes e menores de rua que, posteriormente, seriam encaminhados à educação fundamental, fazendo-se o atendimento através de alunos do Curso de Educação Física. Os mesmos alunos, além do currículo mínimo, teriam sua prática complementada pelo atendimento à Escolinha de Futebol, Tênis e Natação, trabalhando, ainda, em caminhadas orientadas à comunidade. Os projetos - para os quais prevíamos a participação das escolas do Vale, integrando-as à ASPEUR/FEEVALE -, em convênio com o CEPROE (já firmado) buscariam outras parcerias através de diversas empresas da região, incorporando-se a isso a implementação do ensino e da pesquisa por intermédio do Laboratório de Pesquisa do Exercício, em que trabalhávamos junto à mantenedora e à comunidade empresarial.
A Faculdade de Belas Artes foi implementada por meio de convênio com a Escola Pingo de Gente (Projeto Cante e Dance com a gente), através do projeto Escola de Artífices e, ainda, a formação e direção do Coral da FEEVALE. Outra realização importante deu-se com as Oficinas de Arte, cujo lançamento realizou-se no Shopping da cidade já em 1994. Idealizou-se, também, o projeto de uma Escola de Música e Curso de Musicalidade, que pretendíamos implementar a partir de 1996.
Ao Curso de Pedagogia, através da Faculdade de Educação, foi englobado o Curso de Estudos Adicionais e administração de novos cursos de pós-graduação, como também estudos que dinamizassem o ensino da licenciatura, voltando-se o aluno de pedagogia para o aprimoramento e motivação de sua prática docente. Colaborariam para isso a reestruturação do Seminário Internacional de Educação, além da aproximação sistematizada com as escolas de primeiro e segundo graus da região.
Os Cursos de Administração e Ciências Contábeis tiveram sua área amplamente redimensionada com a criação do Curso Novos Empreendimentos (em convênio com o SEBRAE), e o Projeto “Incubadora Empresarial” visando a Geração de Renda e de Novos Empregos (em convênio com a Fundação Banco do Brasil). Procedeu-se, também, a instalação da Comissão de Acompanhamento e Avaliação dos Cursos de Administração e Ciências Contábeis, envolvendo entidades de classe como ACI, ABICALÇADOS, AICSUL, ABTC, ABQTIC, ABAEX, ASSINTECAL e ABRAMEQ, com as quais vinha-se mantendo reuniões mensais, buscando interação com a região e constante busca de fontes de ação e conhecimento.
O Curso de Ciência da Computação teve sua ampliação a partir da integração à INTERNET, através da qual fomos designados pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado como portadores de um nó da Rede Tchê, oferecendo e utilizando esta fonte de consulta e pesquisa. Aumentou-se, também, o número de Laboratórios de Informática, adquirindo-se equipamentos de última geração para o aperfeiçoamento de alunos, professores e comunidade. Ofereciam-se, assim, cursos na área de informática tanto para o público interno como para o público externo da instituição, implementados pelos processos SOFTEX 2000 e PROTEM.
No Centro de Ciências da Saúde privilegiou-se a ampliação da Clínica de Fisioterapia, colaborando para isso a aquisição de novos equipamentos e contratação de pessoal especializado. Foram traçados novos projetos como a piscina de Fisioterapia para consecução do projeto de Hidroterapia, além do desenvolvimento de pesquisa, do qual estava em andamento o Estudo Comparativo entre o Tratamento Convencional e Hidroterapia em Crianças Asmáticas.
Os Cursos de Tecnologia Química (Couro) e Mecânica (Calçado) estavam, também, em pleno processo de transformação. Buscava-se sua transformação em Curso de Engenharia do Calçado, para o qual contribuiriam, em primeiro plano, o Laboratório CAD/CAM, já instalado. Realizava-se, ainda, uma aproximação com egressos dos Cursos de Tecnólogos, através de montagem de projetos que os reintegrassem à instituição. Essa ação, iniciada com uma pesquisa junto às empresas da região, visava uma efetiva participação da ASPEUR/FEEVALE no desenvolvimento tecnológico do Vale dos Sinos, através do qual poderíamos colaborar como fonte de informação e estrutura no desencadeamento de novas tecnologias, tanto através de alunos já formados e colocados como na preparação de um novo mercado de trabalho.

3.2. ÁREA DE PESQUISA.
Era intenção de nossa administração que cada um dos cursos arrolados no item anterior, fossem um suporte de pesquisa para a comunidade do Vale dos Sinos, país e exterior. Para isso, os projetos pertinentes à cada Centro da FEEVALE desempenhavam papel fundamental no desenvolvimento científico, tecnológico, artístico, de saúde e educacional, conforme atividades em andamento nas diferentes áreas.
Como se viu, o envolvimento de entidades era uma prioridade de nossa gestão, em consonância com o plano de ação traçado com a mantenedora. As entidades e conselhos de classe, empresas, instituições de ensino e órgãos de imprensa e governamentais estavam, já, empenhados em participar com a ASPEUR/FEEVALE do desenvolvimento de ações acadêmicas, esportivas, culturais e tecnológicas.
A implementação da área de pesquisa da FEEVALE adotou, dessa forma, uma nova linha de ação, não só buscando parcerias como fortalecendo a equipe interna, pela contratação de uma assessoria experiente e inovadora. Desenvolveu-se a Pesquisa de Opinião sobre a Imagem da FEEVALE, cujos relatórios foram publicados em um documento intitulado Documentos de Pesquisa, tendo sido ouvidos os alunos e a comunidade empresarial e educacional da região. Ainda, realizou-se pesquisa do Perfil Energético das Indústrias do Setor Coureiro-Calçadista do Vale dos Sinos,  a pesquisa Centro de Estudos Estratégicos, além de Programas de Intercâmbio com Universidades Européias.
Desenvolveu-se, também, uma pesquisa de mercado solicitada pelo CDL/Novo Hamburgo (Programa Calçado Brasil), em que se traçou o perfil do consumidor calçadista do Vale, abrindo-se novas portas para o conhecimento do comportamento do público potencial dessa área.  Outras entidades, como o Banco do Brasil e o Shopping de Novo Hamburgo, estavam vindo ao encontro da equipe da FEEVALE buscando junto à assessoria da instituição a implementação de seu atendimento através de pesquisas que favorecessem sua atuação junto aos diversos públicos, e essas ações demonstravam, já, o reconhecimento de um trabalho sério e profissional que se iniciou em 1994. Paralelamente, a FEEVALE integrava-se a outros órgãos de pesquisa, visando o aprimoramento desses trabalhos através de apoio da FAPERGS - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado e CEPA - Centro de Estudos em Pesquisas da UFRGS. Pouco a pouco, conquistávamos nossa inserção no mercado, dominando técnicas e facilitando os estudos do perfil da região.

3.3. ÁREA DE EXTENSÃO.
Para apoio a esses e outros projetos, instalou-se o Conselho Político da FEEVALE, composto de deputados federais e estaduais da região, prefeituras municipais e Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo.
Pretendia-se, com o apoio de lideranças políticas, educativas e empresariais, criar laços e parcerias com todos os segmentos da comunidade regional, nacional e internacional, estabelecidos através de convênios e o desenvolvimento de várias atividades conjuntas. Entre as instituições conveniadas, firmaram-se acordos de cooperação com CNPq, Fundação General San Martin, INTERNET, TVE, FUNDATEC, CREDUC-MEC/SESU, FAPERGS, UFRGS, UNISINOS, Universidade Federal de Santa Maria, dentre outras.
Entre as atividades em andamento e as diversas reformas e reestruturações do espaço físico dos campi da FEEVALE, pretendia-se, simultaneamente, capacitar professores e funcionários para que desempenhassem com eficiência e satisfação as diferentes funções. Para isso, implantou-se o programa “Reeducação da FEEVALE”, instrumentalizando os participantes relativamente à visão de futuro e seu papel no processo ensino-aprendizagem. A primeira etapa, direcionada para o quadro funcional, realizou-se através de seminários intensivos, totalizando quarenta horas/aula. A partir desse processo, objetivávamos a implantação do Programa de Qualidade Total na instituição, redimensionando os espaços de trabalho, lazer e cultura, construindo com o quadro administrativo seu comprometimento profissional e social. Da mesma forma, iniciou-se o projeto de capacitação dos professores, oportunizando vivências inovadoras e necessárias a uma nova postura docente diante do limiar de um novo século.
O envolvimento da região, por sua vez, projetava-se através de Cursos, Seminários e Programas Institucionais. Nesse sentido, programou-se um Seminário para Prefeituras abrangendo as áreas de reforma tributária e ecologia, dentre outros já em andamento dos quais destacamos: curso Novos Empreendimentos, Escola de Artífices (para arquitetos e restauradores do patrimônio histórico regional e nacional), Curso de Estilismo (para a área coureiro-calçadista, em que se previa a vinda de estilistas italianos), o Projeto Happy Hour (por meio de recitais e programas culturais diversos), Coral da FEEVALE (com maestro e professor de técnica vocal), Laboratório de Informática Educacional (cuja implementação seria gestionada com a UNESCO/FNDE), Laboratório CAD/CAM (estendido ao atendimento de toda a região), programações culturais no Shopping Novo Hamburgo (envolvendo a comunidade e Vale dos Sinos) e, como culminância das atividades da ASPEUR/FEEVALE, a montagem de um Pólo Tecnológico do Couro e do Calçado, consolidando o papel da FEEVALE junto ao panorama nacional e internacional.

4. COMENTÁRIOS FINAIS - O DESTINO DA UNIVERSIDADE
Por intermédio das diversas ações traçadas à frente da instituição, buscamos a efetivação da tripla função da universidade - a de oferecer ensino, pesquisa e extensão inovando nessas áreas de atuação. Os projetos iniciados, muitos deles ainda em fase de tramitação, estavam sendo gestionados a nível estadual e federal, muitos deles merecendo ainda dedicação e atenção especial.
Nessa perspectiva, manifestamos uma preocupação que se irmana aos anseios de toda uma comunidade educacional e empresarial, cônscios das dificuldades pelas quais o país vem atravessando em todas as áreas. O ensino não é área restrita a pequenos segmentos da sociedade e, portanto, não deve ser preocupação somente do governo ou dos dirigentes das instituições educacionais. Por isso, o atual quadro brasileiro - e de nossa região em particular, inquieta-nos na medida em que projetos são relegados a planos inferiores, ou em que, muitas vezes, políticas particulares sobrelevam-se a objetivos maiores, prejudicando o andamento de projetos que poderiam se tornar grandes conquistas a toda uma região e ao país.
Buscamos, enquanto dirigentes de uma instituição de porte como a FEEVALE, a implementação em todas as áreas de sua atuação. Hoje, afastados da gestão que empreendemos, alimentamos ainda o desejo - que deve ser o de toda a comunidade -, de vê-la crescer através dos tantos projetos iniciados, tantos planos que traçamos para sua expansão. É nosso desejo que sua caminhada rumo à universidade efetive-se com a grandiosidade que o Vale e o Brasil tem buscado com determinação e coragem. Acreditamos que aí esteja o segredo de um milagre que perseguimos ao longo da formação histórica de nossa nação: o milagre do sucesso somente alcançado através da coragem e do empreendimento. Para isso, é preciso dar continuidade aos projetos conjuntos, à formação de parcerias, ao atendimento de uma sociedade tão castigada por crises e humilhações. É certo que ninguém possui a clarividência necessária para antever o futuro, mas é certo, também, que o rumo do futuro depende da coragem com que avançamos no presente, e esta coragem é que determinará o fio da nossa história.

 

  • Adm. Volnei Alves Corrêa

    Economista; Administrador; Mestrado em Administração pela Syracuse University – EUA; Mestrado em Auditoria e Gestão Ambiental pela Universida de Leon, Madrid, Espanha, Professor Adjunto , aposentado,da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Consultor e Ecologista; Conselheiro do Conselho Regional de Administração do RGSul; Consultor Organizacional, Ambientalista.